Sobre o filme.... Primeiro devo confessar que esse post vai ser muito mais sobre a juventude de hoje do que sobre o filme. Por isso, não me peçam para falar sobre figurino, interpretação ou coisa do tipo. O fato é que eu gostei dele pois achei-o bastante realista e pela primeira vez na vida, assisti um filme brasileiro que retrata o meu cotidiano.
Tenho uma lista de filmes brasileiros que adoro, mas no geral eles sempre retratam a temática da pobreza, e quando não retratam, é sempre algo muito alegre e feliz. Sem preconceitos, eu NÃO AGUENTO MAIS!!! Ninguém entende meu mundo, porra! Caralho, eu não sou pobre. Rica eu também não sou. Estou looooooonge de ser, portanto nem tentem me rastrear pra me sequestrar, ok? Sou a típica filha que nasceu de pais que eram pobres, mas não são mais, graças a esforços pessoais. Meus pais eram muuuito pobres e minha família toda ainda é. Mas eu, graças ao árduo trabalho dos meus pais, já não sou. Tenho acesso a coisas que meus pais nem sequer sabiam da existência. Sou a primeira da família que está estudando em escola particular e sinceramente? DETESTO!
É CHEIOOOOOOOOOOOOOOOO de problema e a única coisa que ouço falar nesse país é de projeto social! Antes que me criticam e me ponham na forca, devo esclarecer que minha mãe é assistente social e está completamente engajada nessas questões e tals, por isso tenho muito contato com a outra realidade. Então não me chamem de preconceituosa, pois acho corretíssimo fazer filmes, músicas e relatar a pobreza do Brasil que deve e MUITO ser mudada. Mas agora, o Brasil não é só isso! Tem a outra parte, ok? Parte essa, que MUITOSS, mas MUITOS brasileiros acham que está perfeita. Provavelmente, acham que ficamos sentados, dando risada da pobreza alheia! Ora, quanta ignorância, meu povo!
Isso me dá uma raiva tão grande! Fico puta, puta MESMO de ouvir os blábláblás da minha família só porque tenho acesso a uma escola particular. Só isso também, pois de resto, sou pobre também comparado à muitos brasileiros milionários que existem por aí. Mas enfim, isso não vem ao caso. O fato é que pela primeira vez, vi algo relacionado a juventude do meu mundo: drogas, sexo, etc...
Devo esclarecer que quando falo "meu mundo", me refiro as pessoas com quem eu convivio, porque de meu, isso não tem nada. Não faço esse tipo de coisa , mas estou cercada de amigos e colegas bêbados e drogados. Portanto é inevitável passar em brancas nuvens sem o menor contato com esses grupos, grupos que aliás, compõe a maior parte dos jovens de classe média alta paulistana. O por que? Um dia me dedico a falar disso. O fato é que não acho que são felizes. Pelo menos, não como se dizem por aí. Não se comportam como os jovens da novela da Globo que se apaixonam e pronto acabou. CLARO QUE NÃO! Acontece cada merda diariamente que pelo amor de Deus.
Só para esclarecer, vou citar uma cena da novela TiTiTi da globo que me irritou profundamente! A cena era bonitinha e tals, mas NEM UM POUCO realista, cá entre nós. Era um casalzinho juvenil apaixonado, composto por um moleque e a Bruna Marquesine. Era tudo muito fofo, lindo e a novela mostrava como se tudo rolasse daquele jeito. MENTIRA! Foi uma grande basbaquice aquilo, mas enfim.
No filme já não era assim. Os personagens falavam como paulistanos falam, incluindo as gírias e tudo mais. Apesar disso, há um certo exagero ao retratar o bullying, pois uma escola é bem mais ampla do que aquilo e eu nunca vi um bullying ser tão extenso e constante como aquilo. Mas achei bem realista sim. As falas, os pensamentos, os conflitos e até a pressão dos amigos retratada lá.
Acho que aí que entra a minha paixão por Brasília. Sempre comentei coisas muito boas sobre lá, porque é verdade. Acho a juventude de São Paulo, apesar de crítica e complexa, muito estragada e deprimida. É claro que isso é uma baita e estúpida generalização. Mas a galera de classe média alta paulistana não é lá muito feliz não. Só sabem fumar, beber e transar e acham que isso é a essência da vida.
Contudo não são todos os que fazem. Porém esses são discriminados, frequentemente. O que muitos não sabem e não percebem é que essa tal discriminação, muitas vezes, não é feita de forma explícita, como mostra o filme (o que acontece também e MUITO). Ela acontece de modo indireto, de forma que o "jovem vítima" simplesmente não se sinta a vontade de ser ele mesmo na escola ou se auto se exclua. E isso também é uma forma de exclusão.
Não que Brasília fosse livre disso, havia também, mas isso era com muito menos frequência. (Em Brasília, eles eram mais felizes, acreditavam mais na vida. Se alguém de Brasília estiver lendo isso aqui, vai querer me bater, mas é porque provavelmente, não conhece São Paulo e por isso nunca vai entender meu ponto de referência.) Mas isso também - é bom comentar - é porque estudei numa determinada escola. Não sei se resto da galera de Brasília é assim, mas, pelo menos, na escola pelo menos que eu estudei, me sentia amada lá e sentia que as pessoas aceitavam mais a diferença. Veja só: na minha sala haviam diveeersos tipos e grupos, mas todos se abraçavam e quase todo mundo era amigo do outro. Se não era, era indiferente, não havia um ser odiado por outro alguém. Haviam os que andavam solitariamente, mas nunca ouvi alguém xingar outro sem motivo.
Na minha classe, tinha um grupo que era religioso e cantava músicas católicas durante os intervalos. Eles não bebiam e eram alternativos, gostavam de arte e cinema e eu pensava: "Se esses caras fossem para São Paulo, morreriam..rsrsrsrs". Também havia uma menina que era toda voltada para as questões ambientais e que ganhou - inclusive - a Olímpiada Nacional do Meio Ambiente. Acredita que essa menina tem namorado? Eu me pergunto: COMO ASSIM? Se morasse aqui, viveria solitariamente, pode ter quase certeza.
O que senti de lá, é que haviam mais opções de pessoas. Não haviam só os populares que fumam e "aproveitam a vida" e os que não se encaixam. Haviam os rockeiros, os loucos, os estranhos, os ateus, os católicos, os que andam sozinhos, os que andam com todos, etc... Havia uma diversidade, por isso as drogas eram "amenizadas" lá, ou seja, como havia uma diversidade maior, aparentemente, parecia que estava tudo bem (bem, pelo menos, melhor que São Paulo está COM CERTEZA! Pelo menos, naquela escola onde estudei!).
Ainda devo ressaltar que as pessoas que eram "do bem" não eram infelizes. Claro que isso é uma completa e idiota generalização, novamente, mas eu acho sim que a maioria gostava de ser quem eram. Vejo, por exemplo, no grupo dos católicos, eles estavam sempre sorrindo e realmente acreditavam no que faziam. Cantavam bem alto com violão e tudo, como se realmente quisesse transmitir tal ideia (pelo AMOR DE DEUS, não pense que eu realmente ache que eles não tinham problemas na vida. Espero eu, que tenha entendido essa minha generalização). Ao contrário de lá, o que vejo aqui em São Paulo, é que os "diferentes" estão sempre com raiva, deprimidos ou com conflitos pessoais por serem diferentes.
Lá em Brasília, você tem que ser MUUUUUUITO diferente pra não ser aceito e MUUUITO maduro, como é o caso de muitos que eu conheço por lá. Mas aqui em São Paulo, basta você colocar uma blusa de cor diferente, para já ser "estranho", por mais que essa tal pessoa pense EXATEMENTE como o resto. E isso é bem triste, MUITO triste.
Outro coisa BEM diferente de lá e aqui é o tratamento para com beleza que os brasilienses têm. Se uma menina era bela, ela era considerada bela, independente se era tímida ou não, se se comportava de tal maneira ou não. Em São Paulo, não importante o quanto você é bonita, não importa o quanto de peito ou bunda você tem, ou o quão magra você é; mas sim qual é a sua reputação e imagem perante a sala. Por isso, você pode ser meio gordinha, magra, desengonçada, estranha, magrela, esquisita, NÃO IMPORTA, se você participa de tal grupo, sua passagem para o conceito "beleza" é muito mais fácil do que aqueles que não pertencem.
Nesse sentido, Brasília dava mais chances às pessoas, pois qualquer tipo poderia ser considerada bonita ou atraente. Além disso, havia vários tipos de meninos e por isso era difícil de uma menina ficar sem ninguém lá. Em São Paulo, já não. Há sempre uma tal menina que todos querem, deixando o resto das meninas morrendo de inveja porque ninguém as quer.
Mas LEMBRE-SE: essa menina não é necessariamente bonita, nem magra, peituda ou bunduda, como a indústria e a mídia expõe, e sim, integrante de um determinado estilo ou padrão imposto. Se não são assim, muitas delas são, ao menos, "brother dos meninos". Pois sim, às vezes é por simpatia e amizade, somente por isso. E isso eu acho muito legal e é sério, não é irônico, não. É que nem aconteceu com a Carol no tal filme. Mas percebe que para que isso ocorresse com ela, ela precisava ser amiga dos meninos que nem ela era?
Mas, por exemplo, eu sou uma completa estranha no planeta, portanto não tenho chance alguma com ninguém! Não me encaixo em grupo NENHUM!!! Sabe o que é isso? Eu só me encaixo com o meu próprio eu e pronto. Mas quer saber de um detalhe? Eu estou EXATAMENTE no padrão de beleza. Sou magra, tem seios grandes e uma bunda redonda. Se isso é bom, é bonito, aí é de cada um, o fato é o padrão de beleza julga isso como o correto e eu estou dentro dele (um dia me dedico a falar mais sobre essa futilidade, que me irrita) . Mas voltando... Adivinha quantas vezes isso me foi útil? NENHUMA por causa do meu jeito! Não penso como eles, não ajo como eles, então eles não me notam, sem sequer reparam na minha existência! Um menino bêbado não sabe diferenciar nada, por isso não importa que eu tenha o "corpo do momento", isso não é necessário para se entrar no grupo. Você deve pensar COMO ELES. É bom ter peito? É bom ser magrinha? Só para as putas ou para as garotas que vão pousar nuas na capa da playboy. Porque pra mim? Isso não serve de NADA!
Quando retrato isso de tal forma, é porque me incomodo e MUITO ao ver meninas e meninas se sujeitando a milhões de tratamentos, cirurgias plásticas e tudo mais como se isso fosse a essência! É inútil! É desnecessário! - Talvez, a minha falta de capacidade de racionalizar essa emoção, faça com que o meu texto demonstre importância demais com esse assunto. Mas não é verdade. O que quero retratar, é que eu não acho, d.e.f.i.n.i.t.i.v.a.m.e.n.t.e, como o muuuuundo inteiro fala, que é a beleza a que define a posição social numa escola. O que define é o JEITO DE PENSAR e mais nada! A beleza pode reinar em outros aspectos, mas te garanto, que nas escolas de São Paulo, o que reina é sua posição social na sala: quem você é! É isso o que realmente importa; sua reputação e mais NADA!
E eu como fico nessa história? Eu seilá! Não me encaixo, sou diferente e não aguento mais essa vida! Quero fazer o que eu gosto e ser quem eu sou sem julgamentos, porra! Por que sou tão invisível, heim? Só porque gosto de literatura, arte? Só porque não bebo ou fumo? Só porque sou meio revolucionária? Por que, cacete?!?!?!?! POR QUE??? To cansada de inventar histórias para viver o que gosto e o que sinto. Quero viver normalmente. QUERO TER 18 ANOS LOGO E FUGIR DA PORRA DO INFERNO QUE É A ESCOLA!
Acho que é só. Esse assunto é tão polêmico, tão chato e tão fresco na minha cabeça... "A juventude de São Paulo", juro que daria um livro! Sério mesmo. Escreverei mais sobre esse assunto, é algo que me irrita e tenho muito contato.
OBS: Ah e me desculpe se falei muita merda, estou com raiva, por isso deve ter muita coisa tosca que falei, além de que eu nem revisei o texto. Fora isso estou com sono, MUITO sono, pois já são 07:00 da manhã e eu estou aqui por culpa daquele filme que me fez pensar... To com sono e já aviso: esse texto está MUITO SUPERFICIAL PERTO DA REALIDADE E BEM GENERALIZADO, POR ISSO CUIDADO AO FAZEREM JULGAMENTOS PRECIPITADOS! Ao contrário do Catoliscismo, esse não fiz com calma e nem consciente. Estou com sono, mas quero postar, preciso desabafar isso!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirO que você falou faz muito sentido...
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