quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um olhar profundo...

Escrevo muitos e-mails... Muitos!
E hoje resolvi postar um texto de uma amiga minha, que muito vi sentido com o momento e com meu estado de espírito. Pedi pra ela se podia e aqui está o texto:

"Ano passado, em uma conversa com o Fernando, ele denominou nosso sentimento de múltipla personalidade como: faces de máscaras. Como se a mascara fosse nosso proprio rosto e ela fosse mutável. Mas então, por que não "rosto" em vez de "mascara"? Pois com cada pessoa temos uma face diferente. Não significa que não estamos sendo "nós mesmos" ao falar com determinadas pessoas, apenas nos adaptamos ao meio mostrando uma face - as vezes pouco explorada - de nós mesmos. Por exemplo, com meu melhor amigo, eu não falo sobre filosofia alguma. Eu amo ele, ele é meu melhor amigo, mas não é profundo. Isso não nos impede de ficar conversando por horas e por não abordar temas "profundos" com ele, não significa que estou sendo falsa. Somos seres humanos, donas de nosso próprio destino. Somos personagens esféricas, mudamos de acordo com o meio - mas sem sair de nós mesmas. Não somos um simples texto que aborda um tema apenas, uma simples dissertação. Somos a narração e as narradoras de nosso próprio livro chamado VIDA. Nele não existem erros ortográficos, e sim erros que nosso subconciente nos relembra sempre com nosso arrependimento. Mesmo os erros mais simples estão escritos também em nosso livro. Em nossa vida.

.....

        Hoje estava vindo de carro com meu pai, estava muito calor. Comecei a pensar em uma história sobre as pessoas que passavam e me assustei com a simplicidade da realidade. Eu ja havia reparado isso, mas sabe quando realmente cai a ficha? Então... Ví uma moça jovem [dou 23 anos pra ela no maximo] chorando. Então pensei: Na cidade havia pessoas com passos ritmados. Todos estavam em harmonia... Ai comecei a criar a história e tals. Mas eu parei. Por que aquela mulher estava chorando?

        A maior parte das pessoas contenta-se em viver sua própria vida e se contentando com fofocas e mexiricos alheios como única fonte de observação. As pessoas juntam informaçoes nem sempre verdadeiras, julgam se esta certo ou errado de acordo com os mandamentos do senso comum e depois taxam o ser "analisado" com um padrão e uma imagem formada da pessoa... como se ela fosse um personagem plano. Mas quem é o plano nessa história? Como se pode julgar sem conhecer profundamente o fato visto?

        Mas o que me impressionou foi ver tão verdadeiramente que eu "vejo de camarote a novela da vida alheia[*]" e fico tão impressionada com minhas observações que acabo sendo expectadora da minha propria vida algumas vezes, ao invéz da personagem principal e ativa. Perco meu olhar em paredes mal pintadas, o efeito do vento em árvores, o vapor do sol saindo da calçada, o céu de Brasília, um olhar triste e melancólico mas completamente mas completamente reprimido por um sorriso gigante [típico das pessoas dessa cidade e, creio eu, do mundo]. Me perco em gestos e palavras cotidianas... E acabo esquecendo de moldar meu próprio caminho. Viro passiva perante a beleza da vida. Entre harmonias e desarmonias transformo cada sorriso, cada olhar e paisagem em partes de meu mundo próprio. E sempre foi assim comigo.






Mas meu lema sempre foi: Viva e deixe viver."(Sophie)

Devo confessar que AMEI esse texto e que achei muito bonito. aliás, essa minha amiga escreve MUITO bem e como ando sem inspiração pra nada (acredite, isso ainda decorre desde que perdi aquele meu texto no ano novo! ), resolvi colocar esse texto. Mas por que? Pois coincidiu com dois acontecimentos: na segunda saí com uma amiga e conversamos sobre esses dois assuntos; e no meu primeiro dia de aula, veio um convidado falar sobre o Ensino Médio e ele abordou exatamente o que está descrito no segundo parágrafo, sobre essa tal "visão superficial".  

Até mais!